terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Ilha de Santo Aleixo - 20 de janeiro de 2019


Em Pernambuco, além de muito Carnaval e folião, temos praias belíssimas e muitos remadores ativos.


 Remadas inesquecíveis já foram organizadas pelo Grupo Caiaque Aventura Recife, mas essa aventura na Ilha de Santo Aleixo foi sensacional e pretendemos repetir em outras oportunidades. Gostaria de deixar meu registro para todos que curtem lugares paradisíacos e para convidar aqueles que ainda não visitaram a ilha (remando ou não).

Resolvemos nos reunir nesse abençoado fim de semana para visitar a Ilha de Santo Aleixo através de uma remada que desafia qualquer técnica. Os poucos que foram nesse dia, foi o suficiente para relembrar momentos incríveis num lugar lindo e que tem águas claras o ano inteiro.

Saindo cedinho de casa, o comboio foi se encontrando aos poucos no local marcado. Seguimos para praia de Serrambi, onde combinamos de iniciar o desafio da travessia. Lembrando que, de Serrambi para o nosso destino são 7km e que levaremos 1 hora e meia de remada até alcançar tranquilamente a bela praia.

A boa notícia é que o céu estava bem aberto e quase sem nuvens, mas havia um pouco de vento para aumentar a adrenalina no sangue. Pela previsão do tempo que consultamos, o vento estava previsto para aumentar ao meio dia, portanto teríamos que sair mais cedo para retornar antes e com segurança. Fizemos logo todos os registros antes da saída, juntamos toda a galera e partimos para aventura. Nesse dia, a Uiba Ui estava inaugurando o novo Tinguá, modelo mais completo e adequado para as expedições, fica a dica para aqueles que gostariam de conhecê-lo.


Registramos muitas fotos da curiosa vegetação: os arbustos que nasceram naturalmente por lá são rasteiros devido ao forte vento, que vão crescendo na horizontal e se esparramando por cima das rochas. Pesquisadores contam que a ilha é a única no Brasil com formação vulcânica e possui diversos fatos históricos curiosos como, por exemplo, sua primeira ocupação pelos espanhóis em 1527. Foi na ilha de Santo Aleixo que ocorreu a primeira invasão francesa do Brasil, além de servir também, para a ocupação de portugueses e holandeses. Nos séculos 16 e 17, a ilha serviu de base para piratas e corsários saquearem a costa pernambucana, em busca do valioso pau-brasil.
Logo no início da travessia, percebemos que o mar estava um pouco agitado, com ondas relativamente altas e formando grandes vagas que dava aquele friozinho na barriga ao navegar, mas essa era a praia do Tinguá, estava tudo sob controle.
Chegando em Santo Aleixo, ainda com a maré enchendo, colocamos os caiaques na areia e decidimos fazer um tour pela pequena ilha. Depois de tudo resolvido, começamos a rodear a ilha a pé, pois assim poderíamos conhecer todos os detalhes em seu perímetro. 


Para quem não conhece e vier, procurem o tal "banho de mar", uma piscina muito agradável e mais recomendada quando a maré está seca.


Terminamos o nosso passeio pela ilha e retornamos cedo por causa do tempo, pois ainda havia muita água pra remar. Dia maravilhoso que passamos no paraíso com os amigos e que sempre deixa aquela ânsia de retornar em breve. Visitem essa maravilha e desfrutem da paz e da natureza, pois vale muito a pena. Até a próxima aventura e abraço para todos!



























sábado, 22 de setembro de 2018

Rio São Francisco - 2º dia de expedição em 15 de julho de 2018

Gameleira da Lapa a Quilombo do Barro  -  40,1 km navegados em 8h 11min


Ao raiar o dia, já estávamos a postos para desmontar e deixar arrumado o local onde havíamos dormido. Alguns armaram a barraca, eu preferi armar e dormir na rede que o Júlio havia me emprestado, pois a que levei não ia servir, muito frio durante a madrugada, a sensação térmica parecia muito abaixo, não dormi bem esta primeira noite.

O dia estava lindo, sem nenhuma nuvem no céu, enquanto a nossa anfitriã preparava o café da manhã, estávamos arrumando nossos barcos a fim de deixar tudo pronto e, com isso, ganharmos tempo na partida.

O rio sempre bonito de se ver e navegar, liso como mar de azeite, e um pescador em sua baitera, cortava o leito sereno do rio.

Registramos o café da manhã, antes de nossa partida.

O Quiosque Beira Rio, onde passamos a noite, redes, barracas, colchonetes pra todo lado, já havia voltado ao de sempre, apesar de deixando muita cerveja na noite anterior.
Registramos nossa partida de Gameleira da Lapa, espero um dia, quem sabe, retornar a este mesmo lugar e rever pessoas que nos acolheram com tanta atenção.

Partimos para nosso segundo dia de remada, cuja meta era chegar em Quilombo do Barro, pequeno povoado à margem direita do rio.

A paisagem com que nos deparamos, era sempre parecida: nas margens, muitas árvores com a metade de suas raízes ainda de fora, mostrando a força das águas na época de fortes chuvas, onde se eleva o nível das águas.

Não consigo passar muito tempo sem ter que registrar algo, e logo
resolvi fazer algo diferente, virei de cabeça pra baixo a máquina e fiz o registro.

Falamos há pouco sobre a força das águas, pois é, durante a descida, encontramos muitas árvores retorcidas e encalhadas no meio do rio, boiando e navegando na correnteza: ali encontram um local mais assoreado e ficam ancoradas até a próxima estação das chuvas.

Quem deve gostar são os pássaros, fazendo destas árvores encalhadas ponto de observação para sua estratégia de pesca.

Curioso também é que às margens observamos placas de indicação da hidrovia do São Francisco, sabemos que o vapor fazia o trecho entre Pirapora/MG a Juazeiro/BA, e que as placas ainda sinalizam a antiga hidrovia.

Nossos expedicionários observando a bela natureza vivida a cada curva do rio.

Procuramos sempre uma parada nas croas formadas no meio do rio porque não há lama, normalmente em uma margem encontramos acúmulos de sedimento.

Percebam vocês, que o nível baixo do rio mostra a altura da margem em sua cota natural.

Hoje iríamos encontrar o apoio numa cidade próxima ao rio, mas como o nível está muito baixo, o canal que liga a esta cidade está seco, sem água, por telefone nos comunicamos porque havia sinal naquele momento, e assim se deu nosso encontro mais adiante.

Hidratamo-nos, reabastecemo-nos, recolhemos nossas barracas que estavam no carro de apoio, pois naquela noite iríamos passar em barracas.



Uma coisa quase inexplicável aconteceu.
Fomos saindo aos poucos e o grupo se dispersou um pouco, eu e Julio remando próximo um do outro e mais dois do grupo a uns 200m à frente, de repente percebo que do céu algo vem caindo, como uma folha de papel, no meio do nada algo brilhoso, tipo metal, alumínio pra ser mais preciso, estávamos distante das margens, e como aquele troço apareceu ali no meio do rio, fui remando em sua direção, ao cair na água, vi e recolhi, simplesmente um prato de quentinha bem amassadinho, logo logo entendi.

Muitos tornados ou redemoinhos, popularmente como são mais conhecido, avistávamos de vez em quando, longe de nós, dezenas de quilômetros de distância, numa dessas voadas este pratinho subiu, só Deus sabe quanto tempo isto ficou planando no ar.


Grande variedade de aves encontramos numa expedição, aves que dependem de peixe, crustáceos, moluscos, como alimento principal em sua dieta.

Durante todo o dia, praticamente não havia vento, dia muito calmo para se navegar.

Pelos nossos cálculos a comunidade Quilombo do Barro estava próxima, demos uma parada para tomar um bom banho antes de lá chegarmos. Chegamos ao por do sol, saímos pela pequena comunidade atrás de um local para nos abrigarmos à noite, e aí encontramos um pastor que nos cedeu a casa pastoral, cozinha com geladeira, banho com direito a tudo, mas mesmo assim, armamos as barracas no chão dentro de casa para descansar e nos protegermos um pouco do frio da noite.


























domingo, 26 de agosto de 2018

Rio São Francisco - 1º dia de expedição em 14 de julho de 2018

Bom Jesus da Lapa a Gameleira da Lapa -  47,7 km navegados em 9h19min

Despertamos às 5h da manhã, ainda estava escuro, bem a oeste do estado da Bahia, primeiro dia de remo, muita coisa a colocar em ordem dentro dos sacos estanques, principalmente roupas e alimentação. Enfim, nos organizarmos no carro que ia nos levar à margem do outro lado, de onde iríamos partir.

Considero o café da manhã a refeição principal para uma boa remada e, na pousada onde estávamos, o Sr. Luís fez questão de acordar cedo e deixar tudo pronto. Tudo muito simples: frutas, cuscuz, tapioca, ovos, queijo assado, pão assado, diversos bolos, tudo maravilhoso.

Soube na manhã de nossa partida, que o carro de apoio iria nos acompanhar por quase todo o trajeto e, justo no primeiro dia, íamos parar em um povoado na margem esquerda, pois não há ponte nem balsas para fazer travessia, portanto, tínhamos que levar carga completa, fogareiro, barraca, colchão, etc., porque não sabíamos o que iríamos encontrar.

Acabamos nosso café da manhã e o dia já vinha raiando, carro pronto, reboque atrelado, e o apoio foi nos lavar ao outro lado de Bom Jesus de onde zarparíamos.

A belíssima ponte que cruzava o São Francisco era enorme, não só em comprimento como em altura, poderia ter entre 40 a 50 metros de altura, foi a impressão que tivemos.


Os primeiros raios dourados de sol que brilhavam refletiam na ponte, cartão postal para nossa partida, o nascer do dia estava lindo e assim prometia todo o dia.

Tiramos nossos caiaques do reboque, levamos logo todos para a beira do rio, a fim de arrumar as tralhas dentro do barco, e a nossa primeira preocupação, eu por exemplo, saber se o que trouxera para a expedição caberia dentro do barco. Não houvera tempo para avaliar se caberia tudo, mas graças a Deus, coube mesmo tudo dentro do Itairu.


Todos os expedicionários se alinharam para registrar na foto a nossa saída tão esperada e programada meses atrás.

 E lá estava a ponte toda dourada, sendo iluminada pelo raios de sol e abençoando nossa partida.


Ao lado do porto onde estávamos concentrados, havia um barco da Marinha do Brasil, parado, pois não havia profundidade suficiente para navegação.

O rio estava lindo, numa paisagem ímpar, sem vento, silencioso, correndo calmamente, empurrando nossos caiaques e nós curtindo cada curva, cada paisagem, incomparável.

Com aproximadamente uma hora de remada, nossa programação era seguir um pequeno braço à nossa esquerda, enquanto o rio principal, com maior correnteza, seguia pela direita.

Esta programação foi feita com a finalidade de encontrar o Rio Corrente, um afluente de pequeno porte situado na margem esquerda, e comprovar o quão interessante é ver um rio desaguando no São Francisco, o que foi devidamente registrado.
Havia impresso em uma gráfica todo nosso trajeto, assim pudemos acompanhar todas as ilhas, braços, curvas, ficando assim bem mais fácil de navegar.

Logo após a foz do Rio Corrente, resolvemos esticar um pouco as pernas, fazer um breve lanche e nos hidratarmos.

Uma coisa que chamou nossa atenção: muitas fazendas à beira do rio, muito gado e caprinos.

Durante este mês de julho, o rio já não tinha muita força, bancos de areias enormes, mas a corrente que nos movia era suficiente para remar 50 km, pelos nossos cálculos.

Muitas espécies de aves se concentravam nestes bancos de areia, desde maçaricos até o conhecido carcará, evidenciando a natureza exuberante que nos cercava.

No decorrer do dia, fizemos uma segunda parada, pois havia gente que estava morrendo de fome e resolveu preparar um rango, próximo ao horário do almoço. Abriram-se latas de salsicha, quitute, sardinha, verdadeiro banquete.

Não entrei nesta, prefiro minhas frutinhas e cereais, mais leve e saudável, melhor alimentar-se na chegada.

Por volta das 5h, estávamos chegando no local programado, Gameleira da Lapa, depois de remar 47,4 km em 9h19min, aqui não incluso o tempo parado.

 Ao chegarmos na margem, logo logo apareceram alguns nativos procurando saber de onde vínhamos, e ficaram sem acreditar na gente.
Fomos recebidos por um senhor, dono do bar, que nos cedeu toda a área para armar nosso acampamento. Aí já terminamos acertando o nosso café da manhã.

No início da noite, saí pela pequena cidade e achei um frigorífico,  havia acabado de chegar o peixe. Escolhi 2 piaus para fazer na brasa, em farra que rendeu até tarde, basta que pensemos na cota de cerveja no dia seguinte pra pagar: 26 cervejas, mais de uma grade! Bebi, mas não exagerei, pois havia muita água pra navegar, nos 7 dias restantes de expedição.